Após seis anos, Brasília recebe torneio internacional de tênis

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Por Raphael Favilla  •  06 de Maio de 2018

No mesmo mês em que os melhores tenistas do mundo se preparam para disputar o Grand Slam de Roland Garros, o calendário de Brasília volta a sediar um evento internacional da modalidade depois de seis anos. A partir deste sábado (05/5), a cidade recebe atletas do Brasil e de mais oito países (Suécia, Argentina, Japão, Chile, França, Suíça, Paraguai e Uruguai) para a segunda etapa do Circuito Internacional de Tênis da série Future. Ao todo, 32 competidores buscarão pontos nas quadras de saibro da capital para subir no ranking.

A etapa sediada em Brasília, no Clube do Exército, é a segunda do torneio da série Future que, geralmente, reúne jogadores que estão começando a carreira e migrando da categoria juvenil para a profissional. É o caso do tenista brasiliense Gilbert Klier, 17 anos, que passa no momento pela transição e vai participar do campeonato em casa. Atualmente, ele mora no Rio de Janeiro, mas retorna à terra natal para disputar a competição a convite da organização do evento.

“O Brasil não tem muitos torneios e, por isso, acabamos viajando muito para outros países. É uma sorte poder jogar em casa”, afirma o atleta, que nasceu em Brasília, mas se transferiu para o Rio de Janeiro há dois anos. A mudança foi motivada pela busca por maior competitividade. “No lugar onde eu treinava, na AABB, já não havia muitos atletas com o mesmo nível em que eu estava para treinar. O principal motivo foi esse”, explica Gilbert, que atualmente treina na academia Tennis Route.

Gilbert acredita que a mudança de endereço, planejada com o ex-treinador de Brasília, fez muita diferença na carreira. O tenista ganhou títulos importantes nos últimos meses e ocupa o 35º lugar do ranking juvenil internacional e é o segundo brasileiro mais bem colocado. O primeiro é Thiago Seyboth Wild, que está na 33ª posição. “Eu estou muito feliz com esse lugar no ranking. Não é qualquer um que chega a posição e isso foi muito importante para a minha confiança”, avalia o brasiliense.

Em março, na Copa Paineiras, torneio sul-americano juvenil, Gilbert venceu o argentino Sebastian Baez, atual segundo colocado do ranking mundial. “Foi uma vitória muito boa. Joguei superbem e tudo deu certo”, lembra. Com a vitória, ele saltou 67 posições na lista internacional e garantiu uma vaga na chave principal do torneio juvenil de Roland Garros com a 35ª posição. Os 48 melhores participam da disputa.

No ranking da ATP, o brasiliense ocupa o 1.410º lugar e sabe que ainda tem muitos desafios pela frente. Como concluiu o ensino médio em 2017, o plano é se dedicar inteiramente ao tênis este ano. “Geralmente os atletas profissionais, depois de se formarem, dedicam um ano para ver como vão avançar no ranking”, explica.

Brasília de volta à cena

Organizado pelo Instituto Sport e homologado pela Federação Internacional de Tênis (ITF) e pela Confederação Brasileira de Tênis (CBT), a segunda etapa do circuito distribui US$ 15 mil em premiações e também garante pontos no ranking mundial da ATP. O diretor do torneio e presidente do Instituto Sports, Danilo Marcelino, destaca a oportunidade de jogar uma competição internacional em casa. “Normalmente, esses torneios são fora do país e viajar tem um custo muito alto para o atleta”, ressalta.

No ano passado, o Brasil sediou apenas quatro etapas do Circuito Internacional da série Future, em novembro e dezembro. No entanto, Brasília não estava na rota das competições em 2017. A última vez em que a capital recebeu um torneio com a participação de competidores estrangeiros foi em outubro de 2012, quando sediou um evento feminino da série Challenger. De acordo com o presidente da Federação Brasiliense de Tênis, Sérgio Oprea, desde 2007 a cidade recebeu 14 competições profissionais internacionais.

“Há muito tempo não temos um torneio internacional. É bom estar de volta na rota do circuito e dar oportunidade para o público da cidade ver um campeonato profissional de perto”, afirma Sérgio. Para ele, apesar de o torneio ser composto por tenistas jovens, o nível dos jogos é elevado. “São tenistas que estão entre os 350º e os 800º lugares do ranking profissional, mas você consegue ver um bom tênis. Todos os profissionais que estão em alta passaram por essa fase”.

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