Às lagrimas, Murray anuncia adeus

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Por Raphael Favilla  •  11 de Janeiro de 2019

Vencedor de três títulos de Grand Slam, o escocês Andy Murray anunciou que irá se aposentar do tênis após o Australian Open.

"Eu preciso ter um ponto final, porque estou apenas jogando sem a menor ideia de quando a dor vai parar. Tomei essa decisão e acho que posso chegar até Wimbledon. É lá que eu gostaria de parar de jogar, mas não estou certo de que sou capaz de fazer isso", disse Murray, que ocupa atualmente apenas a posição de número 230 no ranking mundial da ATP.

"Não tenho me sentido bem. Tenho lutado por muito tempo. Eu acho que não posso aguentar a dor por mais quatro ou cinco meses", afirmou o tenista de 31 anos.

Murray jogou apenas 12 partidas em 2018 e ficou quase um ano afastado por causa de uma lesão no quadril. O britânico disse que gostaria de se aposentar em Wimbledon, Grand Slam que ganhou duas vezes (2013 e 2016), mas não sabe se chega até lá.

"Fiz basicamente de tudo para me sentir melhor do quadril, mas não adiantou muito. Acho que o Australian Open deve ser meu último torneio".

"Não consigo colocar a meia sem sentir dor. Eu posso jogar com limitações, mas ador não tem me deixado aproveitar competir e treinar. Eu gostaria de parar em Wimbledon, mas não sei se chego até lá", completou.

Murray tem 45 títulos na carreira, ganhou um US Open e dois Wimbledons, além de duas medalhas de ouro olímpicas.

Pai de duas filhas, falou sobre como é lidar mentalmente com a situação. "Eu falei demais sobre o meu quadril nos últimos 18 meses. É uma coisa diária. Não são apenas as pessoas com quem trabalho que me perguntam, são todas. Todo mundo que eu conheço me pergunta sobre isso, e é bem desgastante. Falei com psicólogos sobre isso, mas nada ajuda porque você está com muita dor e não consegue fazer o que quer, o que gosta de fazer. Não é mais agradável fazer isso".

Murray considera até mesmo a hipótese de passar por mais uma cirurgia. O procedimento seria menos focado no tênis e mais em sua qualidade de vida, já que até mesmo atividades corriqueiras causam-lhe muita dor. "Eu tenho uma opção de fazer outra operação, que é um pouco mais severa do que a que eu fiz antes, mas me daria uma melhor qualidade de vida. Alguns atletas fizeram e voltaram a competir, mas não há garantias disso. E a razão para fazê-la não é voltar ao circuito", afirmou. "Há pequenas coisas no dia a dia que também são muito difíceis. Seria bom fazê-las sem dor. Colocar sapatos, meias, coisas assim. Essa é a principal razão para fazer essa cirurgia".

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