Djokovic triunfa sobre Nadal e faz 22ª final de Slam

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Por Raphael Favilla  •  15 de Julho de 2018

Na conclusão do confronto que foi paralisado na última sexta-feira, em Londres, o sérvio Novak Djokovic venceu o espanhol Rafael Nadal por 3 sets a 2, com parciais de 6/4, 3/6, 7/6 (11/9), 3/6 e 10/8, neste sábado, e garantiu vaga na final de Wimbledon.

Essa partida se arrastou até muito tarde na sexta-feira por causa da semifinal anterior, entre o sul-africano Kevin Anderson e o norte-americano John Isner, que fizeram a segundo jogo mais longa da história da competição. O duelo épico durou 6h36min e terminou com vitória de Anderson, também por 3 sets a 2, com parciais de 7/6 (8/6), 6/7 (5/7), 6/7 (9/11), 6/4 e 26/24. Ou seja, apenas no quinto set eles jogaram 50 games (em Wimbledon o quinto set é decidido sem tie-break).

"A vitória poderia ter ido para qualquer lado, já poucos pontos definiram a partida", disse Djokovic após a vitória. "Eu acreditei na vitória, mas sabia que ele estava jogando muito bem e que qualquer coisa poderia acontecer. Contra o Rafa, que joga cada ponto como se fosse o último, você tem que estar preparado e acima de tudo manter a calma".

Com o suado triunfo sobre Nadal, líder do ranking mundial que entrou em quadra neste sábado em desvantagem de 2 sets a 1 após o confronto ser paralisado logo após o término da terceira parcial, Djokovic avançou para jogar pela quinta vez em sua carreira uma final de Wimbledon, onde ele se sagrou campeão em 2011, 2014 e 2015 e foi derrotado na decisão de 2013, quando caiu diante do britânico Andy Murray.

"O que me passou pela cabeça durante o jogo daria para escrever um livro. Quando você joga diante de um tenista com as características de Rafa, o lado mental do jogo é determinante para suas aspirações", disse o sérvio, que marcou sua 27ª vitória em 52 jogos diante do rival.

O tenista de Belgrado, ex-número 1 do mundo que hoje ocupa a 21ª posição do ranking mundial, também não avançava à final de um Grand Slam desde 2016, quando perdeu para o suíço Stan Wawrinka na decisão do US Open, em Nova York. De lá para cá, o sérvio sofreu com lesões, sendo que uma delas, no cotovelo, o deixou de fora de toda a segunda metade da temporada de 2017.

Nadal elogiou o alto nível da partida, mas contestou o teto fechado da quadra central. "Foi uma grande partida, creio que oferecemos uma altíssimo nível e um grande espetáculo", avaliou. "Claro que não estou feliz com o resultado, mas orgulhoso por ter feito parte dessa batalha. Não tive tempo ainda de analisar por que perdi. Fiz grandes lances, mas também cometi algumas falhas, mas isso me parece normal quando se joga nessa intensidade. Ontem poderia ter acontecido qualquer coisa, hoje também. Não acredito em sorte, ela está sempre com o ganhador, e nos dois dias esteve com ele".

Questionado se o teto fechado influenciou - havia dúvida se ele permaneceria fechado no reinício do duelo deste sábado -, Rafa esquivou-se a princípio, mas deixou claro que queria quadra aberta desde a sexta-feira: "Prefiro não falar sobre isso para que não me interpretem mal. Se você começa indoor, deve terminar nas mesmas condições", concordou, antes de completar. "Ontem começamos com teto fechado para ganhar tempo, mas não acho que tenha sido o correto", reclamou.

A decisão entre Djokovic e Anderson está marcada para começar às 10 horas (de Brasília) deste domingo, quando o sérvio também buscará o seu 13º troféu de um Grand Slam. O sul-africano vive melhor fase no circuito e ocupa a oitava posição da ATP, mas perdeu cinco dos seis jogos que fez com o rival até hoje, sendo que dois destes confrontos ocorreram em Wimbledon, em 2011 e 2015. Anderson só ganhou o primeiro duelo entre os dois, em 2008, no Masters Series de Miami (hoje chamado de Masters 1000).

O jogo

Na parte deste duelo contra Nadal que foi disputado na sexta-feira, o sérvio manteve as fortes devoluções que exibiu desde o começo da competição, enquanto o espanhol demonstrou melhor aproveitamento do que de costume no saque. Ambos se destacaram nas cruzadas e em longas disputas de bola. Djokovic se adaptou melhor às condições e largou em vantagem ao vencer o primeiro set em 47 minutos.

A segunda parcial foi mais equilibrada. Nadal começou mais lento, mas o sérvio não aproveitou suas oportunidades. Na sequência, o espanhol foi mais eficiente ao capitalizar as oportunidades de quebra, venceu o set e igualou o placar.

O terceiro set foi o mais equilibrado do confronto. O sérvio e o espanhol alternavam grandes momentos, entre jogadas bem trabalhadas do fundo de quadra, variações e persistência. Sem qualquer chance de quebra para ambos os lados, o confronto foi decidido no tie-break, e Djokovic levou a melhor.

Já neste sábado, o sérvio mostrou a mesma agressividade e atacou o saque de Nadal desde o primeiro game, em que teve três break points. Nadal não só se recuperou, como quebrou o serviço do adversário na sequência. Djokovic ainda devolveu, mas o espanhol voltou a aproveitar um break point para assumir a frente, fechar o set e deixar tudo igual.

Os altos e baixos cessaram aí, e o que se viu no quinto set foi uma partida de alto nível e poucos erros. A primeira grande chance de quebra veio no oitavo game, em que Nadal fez "milagre" para evitar que Djokovic saltasse à frente após ficar em desvantagem de 0/40. Na sequência, no 15º game, foi Nadal quem teve dois break points, antes de permitir a reação do adversário, que se salvou e confirmou o saque.

No 16º game deste set, Nadal sacava em desvantagem de 8/7 e Djokovic teve um match point em 30/40, mas o espanhol exibiu coragem ao fazer um ponto com uma bela deixadinha e depois confirmou o serviço para empatar em 8/8.

Na sequência, porém, o sérvio fez 9/8 com o saque na mão e depois conquistou quatro pontos seguidos no serviço do espanhol para fazer 10/8 e liquidar o confronto. Foi a 27ª vitória de Djokovic em 52 jogos com Nadal, que almejava empatar o retrospecto e consequentemente buscar seu terceiro troféu de Wimbledon, onde foi campeão em 2008 e 2010. Porém, não teve sucesso diante do seu velho conhecido no circuito profissional.

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