Estrela ascendente

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Por Diego Werneck  •  15 de Agosto de 2017

Modalidade em desenvolvimento e dominada historicamente pelos italianos, o beach tennis tem como destaque no circuito mundial profissional em 2017 um niteroiense. Ralff Abreu vem fazendo desse ano a sua melhor temporada com três títulos conquistados, convocação para a seleção brasileira da modalidade, com direito ao vice-campeonato conquistado na Rússia, e a 13a. colocação no ranking da ITF (chegou a ficar na 11a. posição a três semanas, sua melhor na lista até então).

Hoje com 34 anos, Ralff começou sua trajetória no tênis, jogando desde os 10 anos de idade na academia Top Tennis e no Icaraí Praia Clube (IPC), em Niterói. Passou por todas as categorias juvenis, disputando torneios estaduais e nacionais, sem grande destaque a não ser em nível regional. Quando estava com 17 anos, teve um sério problema na coluna que o deixou quase um ano sem poder jogar, o que o levou a dar os primeiros passos como treinador.

A partir daí, não voltou a disputar torneios de tênis, se dedicando à função de técnico. Teve experiências como instrutor nos Club Med de Angra dos Reis (RJ) e Itaparica (BA) por três anos, quando retornou a Niterói e assumiu as quadras do IPC. Alguns anos depois viria a ser sócio da Top Tennis, saindo um pouco das quadras e ficando mais na função administrativa, sua área de formação acadêmica. Porém sem abrir mão totalmente de continuar ministrando aulas.

???????????????????????????????????? Ralff Abreu em ação no Aberto de Niterói de Beach Tennis

Início não muito animador, mas persistência compensa

A transição para o beach tennis aconteceu em 2010, quando foi convidado a participar de um torneio-exibição. A primeira impressão não foi boa.

- Eu não gostei do beach tennis, achei um jogo muito simples, bobo. Eu não entendi muito bem o que era beach tennis - revelou Ralff.

Só um ano depois Ralff resolveu dar uma nova chance à modalidade, após acompanhar o sucesso de alguns contemporâneos seus do tênis juvenil, como Vinicius Font e Guilherme Prata, que se tornaram referência e motivaram o atleta niteroiense a começar a treinar na praia. A ideia inicial era apenas se divertir, mas de lá para cá não saiu mais da modalidade e se consolidou como um dos expoentes do beach tennis brasileiro ao lado do atual parceiro, o carioca Diogo Carneiro, com quem alcançou seis finais e conquistou quatro títulos de etapas do mundial nos últimos meses, resultados que os alçaram a figurar entre os melhores atletas da modalidade no mundo.

- Eu não esperava um rendimento tão bom, com três títulos e um vice-campeonato nesses quatro torneios disputados no Brasil (Niterói, Balneário Camboriú, Maceió e São Miguel do Gostoso). A gente esperava sim um título, fazer uma final ou semifinais em todos, mas não esperávamos que seria tão bom quanto foi. A gente vem trabalhando duro há muito tempo, eu e o Diogo somos uma parceria de três anos já, isso é um diferencial e estamos colhendo os frutos desse trabalho do dia a dia - avaliou Ralff.

A maior conquista do niteroiense veio no final de 2016, quando venceu o torneio Panamericano, segundo maior em importância no circuito mundial de beach tennis da ITF. Dentre os principais objetivos da dupla para esse ano, a convocação para a seleção brasileira que disputou o mundial na Rússia, em julho, e a entrada no grupo dos 10 melhores do beach tennis mundial - Ralff já figura entre os 20 primeiros há três anos. O primeiro devidamente alcançado, com a participação da parceria na conquista do vice-campeonato no torneio por equipes, e o segundo muito bem encaminhado, com a atual 13a. colocação de Ralff - Diogo já é o nono no ranking individual da ITF. Com a semi-final alcançada na etapa disputada na última semana na Itália, Ralff já aparecerá entre os dez primeiros do ranking na lista a ser divulgada no próximo dia 21 de agosto.

Desenvolvimento da modalidade: Niterói como referência

Em paralelo à carreira de atleta profissional, Ralff ministra aulas na Praia de Icaraí, em Niterói, desde 2011, quando começou a oferecer o serviço devido à alta procura de interessados no então novo esporte. A empreitada conta com o apoio da Prefeitura de Niterói, por meio da Secretaria de Esportes, que disponibiliza o espaço na praia para montagem permanente da estrutura. O projeto, que atualmente tem uma equipe de cinco professores, tem por objetivo tornar a cidade a maior referência em beach tennis no país, o que segundo Ralff não está longe de ser alcançado. Niterói sediou, inclusive, um torneio de US$ 10 mil em maio (terceira maior premiação possível), com grande sucesso de público e alto nível técnico em quadra, contando com a presença de atletas do mundo todo e alguns dos principais destaques da modalidade.

O atleta e professor fundou ainda, em 2012, uma associação de beach tennis, a Icaraí Beach Tennis (IBT). Inicialmente com oito jogadores, hoje a IBT conta com 250 filiados, que dispõem da estrutura de quadras para jogar aos fins de semana, quando não há aulas no local, além da realização de torneios e eventos de confraternização. Ralff considera que há muito potencial para o crescimento do beach tennis, especialmente por se tratar de uma modalidade ainda muito nova.

- É um esporte que traz muito prazer e bem-estar a quem pratica, pois é intenso e dinâmico, jogado ao ar livre e em um ambiente muito favorável. Temos de crianças a partir de oito anos a adultos de 70 anos na nossa escola, o que demonstra que o beach tennis pode ser praticado por qualquer um e agrada a todos os perfis - afirmou Ralff.

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