Lendas do Tênis: Maria Esther Bueno

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Por Nittenis News  •  26 de Maio de 2020

Nascida em São Paulo, a 11 de outubro de 1939, Maria Esther Bueno conseguiu em sua curta carreira no circuito mundial um feito jamais alcançado, antes ou depois de sua era, por qualquer tenista brasileiro.

Entre 1958 e o início de 1969, Maria Bueno - como era conhecida no cenário mundial - conquistou nada menos do que 20 torneios de Grand Slam (em simples e duplas) e neste período esteve sempre entre as dez melhores do mundo, sendo primeira durante quatro anos - 1959, 1960, 1964 e 1966 -, como atestam os rankings da World Tennis.

Foi tricampeã de simples em Wimbledon em 1959, 1960 e 1964, feito que mereceu um painel na parte externa do Wimbledon Lawn Tennis Museum, onde é literalmente venerada. Ainda na grama londrina foi campeã em duplas nos anos de 1958, 1960, 1963, 1965 e 1966. A curiosidade do primeiro título de simples correu por conta do prêmio recebido pela brasileira, na ordem de 15 libras esterlinas, insuficientes para cobrir os custos do vestido de baile que teria que ser comprado para a festa do título.

Ainda em 1959, e em decorrência do título na grama londrina, Maria Esther ganhou um selo comemorativo de sua conquista e foi escolhida atleta do ano pela Associated Press.


Na Austrália foi vice-campeã de simples em 1965 e campeã de duplas em 1960. A tenista paulista foi apenas por quatro vezes para a Oceania, sendo a primeira delas a mais desgastante. Não havia aviões a jato a partir do Brasil nesta rota e ela teve que fazer uma parada no Havaí, de onde levaria mais 60 horas até o destino.

Em Roland Garros, para onde Maria Esther também foi poucas vezes, trouxe o caneco de duplas em 1960 jogando ao lado do australiano Robert Howe, ao derrotar na final ninguém menos do que Roy Emerson e sua parceira Ann Haydon.  Foi finalista em simples no ano de 1964 ao perder para a australiana Margaret Smith Court, sua principal rival na carreira. Para se ter uma ideia da qualificação de Court, ela foi vencedora de 24 Slams e, em 1970, venceu o Grand Slam, conquistando o título dos quatro principais torneios de tênis do planeta.

Quando podia escolher, Maria Esther Bueno gostava mesmo era de ir para os Estados Unidos. Não por coincidência foi no US Open que conquistou a maior quantidade de títulos em simples: 1959, 1963, 1964 e 1966. Nas duplas subiu ao pódio em 1960, 1962, 66 e 68.

Ao todo foram 585 títulos conquistados por este ícone do tênis mundial, e poderia ser bem mais não fossem os inúmeros percalços por problemas de saúde. Em 1961, logo após conquistar o bicampeonato em Roma e já em Roland Garros, ela contraiu uma hepatite que a fez ficar fora do circuito por longos 12 meses. Em 1967 fez a primeira cirurgia no braço direito, onde sofreria mais nove intervenções, além de mais uma no joelho. A decisão da primeira intervenção no braço foi tomada logo após Maria Esther ter jogado 120 games seguidos em Wimbledon, disputando três jogos seguidos em quartas-de-final nas simples e semifinais de duplas e duplas mistas.

“Tive essa primeira operação no braço por não ter tido coragem de dizer chega, não jogo mais. Não tinha orientação para saber meus limites. E eu jogava nas três categorias em consideração aos torneios. Eram outros tempos”, desabafou a paulista em sua entrevista exclusiva aos jornalistas Gianni Carta e Roberto Marcher, em dezembro de 2003, publicada no livro que serviu de base para este artigo (vide fonte ao final).


Logo depois do primeiro procedimento no braço, onde por conta da imensa vontade de retornar às quadras tentou jogar com a canhota, Esther Bueno chegou a ouvir de um especialista americano que nunca mais voltaria a jogar. Depois de nova intervenção no braço, passou um ano em Paris fazendo fisioterapia, o que acabou lhe dando uma condição de jogar pelo menos uma hora por dia, em dias alternados.

Para se ter uma idéia da vontade que movia esta brilhante e dedicada tenista brasileira, depois de todos estes sérios problemas físicos ainda fez, em 1968, quartas-de-final em Roland Garros e Wimbledon e final no aberto dos Estados Unidos, onde foi derrotada por Margareth Smith Court.

Até 1974, ainda retornou algumas vezes ao circuito, culminando com o último título no saibro do Aberto de Tóquio no mesmo ano. Com quase 37 anos, chegou na quarta rodada de Wimbledon em 1976, sendo derrotada pela britânica Sue Baker, cabeça-de-chave número sete. No ano seguinte estava de volta ao seu torneio favorito, onde foi eliminada por Billie Jean King, a quem havia derrotado nas semifinais do mesmo torneio, em 1965.


Uma particularidade interessante sobre Maria Esther Bueno diz respeito às roupas que usava em seus jogos. A partir de uma parceria com o ex-tenista e designer inglês Ted Tinling, tornou-se uma das tenistas mais estilosas e elegantes do circuito. Os vestidos eram bordados em pérolas, com fios de prata ou ouro. Em 1962, jogando na semifinal de simples em Wimbledon, seu vestido todo branco mas com forro rosa-choque entraria para a história do tênis por ter provocado sussuros da platéia na hora de seus serviços. “Na hora que comecei a sacar, eu ouvia, do meu lado “uh, ah”. Mas na arquibancada do outro lado, ninguém entendia o motivo daquele alvoroço. É que minha saia subia e o pessoal via o forro, rosa-choque. Foi um escândalo”, disse uma animada Maria Esther na mesma entrevista anteriormente.

Em 2018, aos 78 anos, esta lenda do tênis mundial nos deixou. Seus feitos, seu amor ao tênis e pioneirismo, no entanto estarão sempre presentes na história do esporte e na memória da grande legião de fãs conquistados mundo afora.


Fonte – Livro “O Tênis no Brasil”, de Gianni Carta e Roberto Marcher

Fotos: acervo da família Bueno





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