Voa, tênis feminino!

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Por Nittenis News  •  28 de Setembro de 2020

Por Apariciope Meneses

Nesta segunda-feira (28) fui surpreendido pela minha paciente Ingrid Martins com uma foto surfando em Porto – Portugal, com Bia Haddad.

- Como assim Ingrid, você sabe que isto é surreal? Ontem vocês jogaram uma final em Portugal.

Sem me deixar falar minha paciente rapidamente me interpela e diz:

- Você precisa ver, fiz o seu banho gelado, e a Bia já está surfando bem, muito legal! Entendendo tudo eu somente contextualizei dizendo:

- Que maneiro! (Gíria carioca para explicar algo muito bom).

 

Khalil Gibran poeta libanês ao se referir sobre a amizade diz: “O amigo é a resposta aos teus desejos. Mas não o procures para matar o tempo. Procura-o para as horas vivas. Porque ele deve preencher a tua necessidade, mas não o teu vazio”.

 

No domingo ao assistir à final de Porto entre Bia Haddad e Ingrid Martins, ouvi o narrador dizendo “nesta final brasileiríssima”. Nesta segunda, ao ver a foto delas surfando na praia felizes, eu pensei: “que grande exemplo o tênis feminino brasileiro está dando para o esporte brasileiro”.

 

É possível através do esporte, mesmo que de alto rendimento, construir amizades e ao mesmo tempo ser uma grande competidora? Olhando para a nossa sociedade esportiva eu vejo que esta foto poderia ser um grande início de mudança de comportamento e um paradigma para a educação, formação e desenvolvimento dos nossos tenistas e esportistas em geral. O tênis feminino tão criticado no Brasil (na Argentina também para quem não sabe) levanta uma bandeira e nos dá um tapa de pelica dizendo que é preciso mudar lá na base para que possamos criar mais “Bias” e “Ingrids” no cenário esportivo. Para quem sabe, desta forma, o esporte poder ser uma ferramenta para conter tanta violência e tanta intolerância que vivemos atualmente.

 

Como psicólogo eu diria que as patologias que vemos numa sociedade esportiva “fanática” poderiam ser destituídas a partir de conceitos gerados por esta simples fotografia. Parabéns Ingrid Martins e Bia Haddad por levar a bandeira do Brasil na Europa, mas sobretudo por deixar um grande legado para os nossos tenistas de que é possível fazer amigos no esporte.

Por falar em legado, busquei na música “fotografia 3x4” do Belchior uma maneira de marcar este momento do tênis feminino brasileiro: “... A noite fria me ensinou a amar mais o meu dia e pela dor eu descobri o poder da alegria. E a certeza de que tenho coisas novas, coisas novas pra dizer”.


Apariciope Meneses é psicólogo do esporte, com registro na CRP sob o número 06/148040


apariciopemeneses@gmail.com


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